terça-feira, 26 de julho de 2011

JESUS É O VERBO



QUEM É JESUS? JESUS É O VERBO







Estudo baseado ño Evangelho de João 1.1-15

O Apóstolo João inicia o seu livro da mesma maneira o autor do Livro de Gênesis iniciou:”No princípio”. Teria sido mera coincidência? Não, ele está propondo escrever a história da criação de um novo Gênesis. Em outra obra sua, o Apocalipse, vemos isto claramente: “O que está assentado sobre o trono disse: Eu faço novas todas as coisas. Escreve, pois estas palavras,são fiéis e verdadeiras” (Ap 21.5). Sim, Jesus está recriando a obra de Deus em 2Coríntios 5.17 vemos: “Portanto, se alguém está em Cristo é nova criação, as coisas velhas já passaram, e surgiram coisas novas.” (Antigas traduções usam o termos criatura, mas segundo o Pastor Isaltino Gomes Coelho criação é melhor tradução que criatura). Em Gênesis surgiu Israel, como vemos no aparecimento da família eleita (Gênesis 12 em diante). Em João surge a Igreja, o novo povo de Deus.
Na primeira criação, o sujeito é Deus Pai; “No princípio, Deus criou os céus e a terra.” (Gn 1.1). Na segunda, o sujeito é Deus Filho, chamado de "Verbo": “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). João emprega “verbo” com outro sentido, não é um verbo, categoria gramatical. É muito mais que isto, é muito profundo, impressionante e comovedor. Jesus é o Verbo, O que isto significa?
João escreve em grego, e usa o termo Logos que significa "o poder ou função divina pela qual o universo recebe sua unidade, coerência e significado". No hebraico, a língua da cultura religiosa de João, a palavra correspondente é Dabhar, que corresponde a "palavra", mas não um mero som que alguém faz. Significa "aquilo que está por trás", como se fosse a personalidade de quem fala. Quando uma pessoa fala dá para perceber quem ela é. Logos é aquele poder que criou e sustenta o universo. E Dabhar é aquela personalidade que está por trás de tudo.
João fala do Criador, daquele que está por trás de tudo. É este o sentido de sua palavra em nosso texto. Aquele poder que criou e sustenta o universo e que está por trás de tudo, se tornou humano e habitou entre nós. O Criador se fez criatura. O universo foi projetado por uma Mente Inteligente, que um dia assumiu a forma humana.
Aplicando o termo Logos a Jesus, João faz a mais impressionante declaração que já se ouviu. Ao dizer que Jesus existia antes de o mundo existir, sempre existiu e criou o mundo, que Jesus é Deus e que nele Deus se tornou humano. O Eterno, o sempre existente, entrou no tempo. O Infinito, aquele que não pode ser contido nem limitado, entrou no espaço, tornou-se matéria finita e em processo de desgaste (envelhecimento). Para nós cristãos e leitores da Bíblia soa normal, a aceitamos sem dificuldades, mas para aquele que não conhece bem a Bíblia, tal declaração soa absurda.
Assim fazendo, ele nos deixa três preciosas informações teológicas sobre a pessoa de Jesus, nosso Salvador. Vejamos:

De visitante a morador

"No princípio", diz João 1.1. Como Gênesis 1.1. Na primeira criação, Deus criou o mundo e nele colocou o homem. Deus "passeava" naquela criação, visitando o homem (“Ao ouvirem a voz do Senhor Deus, que andava pelo jardim no final da tarde, o homem e a mulher esconderam-se da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.” Gn 3.8). Deus era visitante. Já na segunda criação, Deus não mais é visitante. É morador com o homem. Diz João 1.14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, pleno de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” Em Jesus, Deus veio morar conosco. Não andamos sozinhos neste mundo. Temos Deus conosco. Um dos títulos de Jesus, no Antigo Testamento, é "Deus conosco" (Is 7.14).
A palavra que temos como "habitou", na língua em que João escreveu, tem três usos:
1º. Tabernáculo;
2º. Barraca;
3º. Tenda de campanha militar.
O tabernáculo era o lugar de encontro com Deus, na peregrinação de Israel (Êx 25.8). "Barraca" era uma tenda de peles, usada pelos nômades e pelos pobres. "Tenda de campanha" era usada para os soldados acamparem durante as guerras. As três figuras ilustram o sentido da encarnação de Deus em Jesus.
Em Jesus, o Deus Eterno, a Mente Inteligente e Criadora, veio morar entre nós. Jesus é o tabernáculo onde encontramos Deus.
Em Jesus, Deus se fez pobre por amor de nós (2Co 8.9).
Em Jesus Deus veio para lutar por nós, contra o Maligno, contra o mundo.
Em Jesus, o Deus Eterno, Criador, veio morar entre nós. Mesmo com Jesus se ausentando fisicamente de nosso meio, a presença divina continua entre nós, pelo Espírito que Deus Pai nos enviou, a pedido de Deus Filho (Jo 14.26).

De Criador a desalojado
“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele, nada do que foi feito existiria.” João 1.3
O versículo 3 deixa claro que o Verbo, Jesus, criou tudo. “Porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam poderes; tudo foi criado por ele e para ele” Colossenses 1.16. Mas, que tristeza! O mundo não o conheceu e o povo entre o qual ele decidiu nascer não o quis: “O Verbo estava no mundo, e este foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu. Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.” (João 1.10,11).
Por que isto aconteceu? A resposta está em João 8.43,44; “Por que não compreendeis a minha mensagem? É porque não suportais ouvir minha palavra. O vosso o pai é o Diabo, e quereis satisfazer-lhes os desejos. Ele foi homicida desde o principio e não firmou na verdade. Quando ele mente, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira.” Esta é a razão, segundo Jesus. A palavra "mentira" tem o sentido de sistema de valores, assumido por gente que ama o erro. Por amar o erro, o mundo rejeitou seu Criador. Por amarem o erro, os judeus rejeitaram seu Deus. Que nunca suceda que nós, cristãos, rejeitemos a Cristo por amar o erro.
Muitos seguidores de Jesus olham o erro com ternura. Muitos amam o pecado e outros não amam a Cristo. Querem apenas os favores dele. Não querem compromisso. Querem bênçãos, saúde completa, cura, prosperidade. Querem receber coisas boas dele. Mas dar-lhe a vida, não. Nós, Igreja de Cristo, somos o seu povo. Somos sua segunda criação. Não podemos deixar de lhe dar o primeiro lugar em nossa vida. O título deste tópico, "O Criador sem lugar na sua criação" não deve se aplicar a nós. Ele não deve ficar sem lugar na sua igreja, como aconteceu na igreja de Laodicéia “Estou a porta e bato, se alguém abrir a porta, entrarei em sua casa de cearei com ele e ele comigo.”(Ap 3.20). Dê a Jesus o domínio da sua vida. Dê-lhe o primeiro lugar. Ame-o e sirva-o com toda a dedicação.

De criaturas de Deus a filhos de Deus
Diz João 1.12: "Mas, a todos os que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus". As pessoas dizem que todos são filhos de Deus, pois foram criados por ele. Cães e gatos foram criados por ele. "Todas as coisas foram feitas por intermédio dele e sem ele nada do que feito se fez" (Jo 1.3). Ratos, baratas e escorpiões foram feitos por ele. Seriam filhos de Deus?
A Bíblia ensina que há uma diferença entre ser criatura e ser filho. Todos somos criaturas de Deus. Mas a filiação é por Cristo. Filho de Deus é quem crê em Jesus. Esta mensagem deve encher nosso coração de alegria. O Criador não quer que sejamos apenas criaturas, mas filhos, num relacionamento especial. Este relacionamento começa com nossa submissão como filhos obedientes a um Pai amoroso e nos assegura que ele fará grandes coisas por nós: "As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam" (1Co 2.9).
Esta adoção divina bem como suas bênçãos para nós são possíveis porque em Jesus Deus veio a nós para nos reconciliar consigo: “Mas todas essas coisas de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação. Pois Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não levando em as transgressões dos homens e nos encarregou da mensagem da reconciliação.” (2Co 5.18,19). É uma reconciliação tão profunda que de visitante se torna morador e nos torna seus filhos em lugar de apenas criação.