terça-feira, 14 de junho de 2011

DOCE OU AZEDA?

DOCE OU AZEDA?

Palavra fácil, argumentação cerrada, o orador divertia seus ouvintes, procurando destruir neles o espírito religioso. Seus ataques mais duros eram contra a fé cristã. Vez por outra, desafiava um possível contendor:
- Quem aí quer discutir comigo? Pastor, padre, médico, advogado ou um simples crente... Suba aqui!
O desafio ficava no ar, ninguém aparecia.
Às tantas, lá do fundo do salão, humilde, vestido com pobreza, surgiu um homem que se declarou disposto a discutir com o orador. Nada nele indicava que seria capaz de fazer frente à sapiência do inimigo dos crentes, o qual parecia divertir-se com a situação.
Mas, como “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas para envergonhar as fortes”, o abusado orador ia ter desagradável surpresa.
Nosso homem subiu ao palco e assentou-se. O orador lhe franqueou a palavra:
- Fale! Responda aos meus argumentos!
O recém-chegado estava abrindo um pacote, e respondeu:
-O senhor pode ir falando: daqui a pouco eu falo
. Do pacote tirou uma laranja, que descascou com calma e sossego. Devagar, sem pressa, gomo por gomo, chupou a laranja.
O orador tentou desmoralizá-lo:
- Veio discutir comigo ou fazer um piquenique?
Por fim, reuniu as cascas e o bagaço, refez o pacote, enxugou e guardou o canivete, e, voltando-se para o orador, disse:
- Estou pronto para falar. Quando quiser, pode dar-me a palavra.
O orador, seguro de si, muito risonho, foi dizendo:
- Até que enfim! Vamos lá! Fale o que tem a dizer em resposta aos meus argumentos, em defesa do Cristianismo?
E, então, a bomba explodiu:
- O senhor quer fazer--me o favor de dizer se a laranja que eu chupei estava doce ou azeda?
O silêncio foi total, quebrado em seguida por imensa gargalhada. Todos riam! Mas, quem mais ria era o orador. Que pergunta mais tola ora!
- Foi o senhor quem chupou a laranja. O senhor é que deve saber se ela estava doce ou azeda! Bem que eu desconfiei que o senhor fosse meio maluco!
Mas, a pergunta não era tola, nem nosso homem era maluco. O argumento dele era poderosíssimo, como, afinal, demonstrou:
- Um momento! Vamos com calma. O auditório, inquieto, esperava o desfecho. Sequem chupou a laranja fui eu, e só eu sei se ela estava doce ou azeda, isso fala em meu favor e em favor de minha fé cristã. É preciso que o senhor saiba que, antes de me tornar cristão, eu era um beberrão, mau esposo, mau filho, mau pai, mau cidadão. Não valia nada, não tinha qualquer serventia. Um dia, conheci o Evangelho e alcancei a salvação em Jesus Cristo e, daí pra frente, minha vida se transformou de forma completa: tornei-me outro homem, regenerado pelo poder de Deus. Um verdadeiro milagre! De modo que, como vê o senhor, eu provei a laranja da salvação e sei que ela é doce, muito doce, e, por isso, dou mil graças a Deus. Mas, na verdade, é o senhor que está fazendo o papel de maluco, falando de um assunto que o senhor não conhece. Se o senhor nunca experimentou a fé cristã, como pode saber o gosto que ela tem?
Argumento tremendo, irrespondível. O homem crente foi carregado em triunfo. O orador fora silenciado e, ao menos, por ali, não repetiria as tolices que andava dizendo. E, até, quem sabe? Não teria ficado em seu coração o desejo de experimentar a graça de Deus?
E o prezado leitor? Terá sentido, também, a força do argumento e estará desejoso de um encontro com Cristo? Ouça o conselho do salmista: Oh! Provai e vede que o Senhor é bom... (Salmo. 34:8).
Achegue-se ao Salvador que o convida, dizendo: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei (Mateus 11:28).

A.A. Vassão
JUERP